terça-feira, 2 de dezembro de 2014

perto

Eternamente esperando a apatia.

Onde estará?

São nada mais do que promessas furadas.

...Se com lágrimas ela conseguisse lavar toda essa dor...

Cada ser que morre lembra a ela da sua própria mortalidade

A deixa cada vez mais perto. cada vez mais perto
cada vez mais perto
cadavezmaisperto
cadavezmaisperto
De morrer



sozinha.

conserva

Seja castigo do universo ou consequência infame de acontecimentos aleatórios

a vida é uma piada sem graça. pra você.

Como se alguém estivesse te chacoalhando dentro de um pote de conserva

Tem como ser mais explícito?

Se ver é o que fazes melhor, daqui a pouco,
te garanto, que não conseguirás mais olhar.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Tatuagens não datadas

Não dá pra ver o tempo passando nesse caderno, ele não tem data.

Por isso o tempo escreve na sua pele.
Pra te lembrar quantos dias, anos, séculos e segundos você já gastou.

É bom agregar um pouco de drama as suas tatuagens, para parecer que não foram em vão.

E quando você olhar pra sua pele e achar que estragou tudo, veja as tatuagens virando cicatrizes.

Cicatrizes coloridas.

E aí você pode pensar: não foi tão estúpido assim.

Você pode tomar um banho, puxar um peso, enganar seu corpo por fora...
Mas uma hora ele te encontra.
- Elas estão lá, você sabe.

Cicatrizes pensadas 
  
Diagramadas.

Bem colocadas.

Em uma vitrine.

Parasitas elétricos

Na verdade tudo pode quebrar, e os cacos e estilhaços não voam muito longe. Eles se cravam nos seus músculos. Nos seus braços, costas e pulsos.

E tudo é amortecido.

Então uma corrente elétrica atravessa tudo, causando uma dor insuportável, até o seu pescoço.

Em uma linha invisível e brilhante.

Depois tudo se espalha...

...e você sabe que não pode fugir disso.
Finalmente entende, após algum tempo...

É a sua essência.
.
.
.
Deveria viver disso, como um parasita.

lembrando

Sei que posso tocar na trilha sonora daquela época...

verdades.

Eu cresci e continuo sendo inútil.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

texto

O Problema de fechar-se, de não demonstrar,

 

é que:

 

Você não possui os benefícios de quem foi diagnosticado.

 

Muito menos de quem exerce

 

Sem as desculpas de quem se diz louco,

 

você está condenado.

 

a definhar.

 

a apodrecer..

 

a parecer

 

sozinho. no seu próprio útero.

 

 

domingo, 5 de agosto de 2012

hermeticamente.


Paredes brancas, fechadas, assistindo a sua vida ir embora.
Porque você não quer que nada vaze, não é mesmo?

Som abafado, nenhuma palavra.

Inflamação irradiando e nada pode ser feito, nada acontece.

Tudo deve ficar irreconhecível...

Mil tentativas em vão.

Pela janela é possível ver projeções de coisas que não acontecem mais. Melancolia e nostalgia se misturando. 
Cedo ou tarde, você aprende a esquecer o que era antes.

sábado, 12 de maio de 2012

já passou

não consigo mais encostar em nada.

e tudo vai queimar até o chão
eu te juro, como
eu não sei.

pare de latir.


eu quero dormir.

e que tudo pare de grudar nas paredes da minha garganta

quarta-feira, 2 de maio de 2012

congelar

Está tão frio,
as únicas estrelas que posso ver, são as coladas no teto do meu quarto.

Luz fraca, não ilumina nada,
não mostra nada,
nenhum caminho.

.
respirando ar gelado
.

Queria que o tempo parasse.

Assim, tudo pareceria menos inútil.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

só isso

A vida é um teste...

de quanto tempo você consegue ficar aqui sem saber o que fazer com ela.


.
"só porque eu não demonstro, não quer dizer que eu não."


.
..
Thanks to Ismael Caneppele

sábado, 10 de março de 2012

Nunca fui boa em descrever coisas...

Olhando para o azul mais azul que existe,
tantas coisas passam na minha cabeça

e é como se fosse uma música:

"Till human voices wake us, and we drown."*

sempre na minha cabeça

o azul mais azul que existe
para nos afundar

vou rezar para que ninguém te acorde

azul

continue me olhando, sem piscar

azul

sem piscar...

nunca feche os olhos,
e tente flutuar.



*The Love Song of J. Alfred Prufrock, T.S. Eliot

quarta-feira, 7 de março de 2012

não devolva o que é seu

Quem me devolve o tempo roubado?

o tempo passado

quem?
ninguém.

o que está roubado, está roubado.

ninguém irá me devolver todas as tardes frias, aquelas longas tardes frias
o sol e o vento batendo na minha nuca
e aquele mal-estar... o mal estar que nunca ia embora
todas as histórias que eu imaginava e que nunca iriam acontecer
as longas narrativas ilustradas com grama, o lugar onde meus olhos sempre iam parar...

O tempo não passava

já passou.
ainda bem.

mas é engraçado de lembrar
é familiar
e estranho


Já estou tão velha assim.



I miss the comfort in being sad

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

sorte

talvez, depois de tudo isso...

eu deva pensar... que eu realmente tenho sorte.
.
.
.
.
.
muita sorte

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Soro de birrência


Soro de birrência, barulho incomodativo, repetitivo, sem sentido, uma freqüência, apenas uma freqüência no calor, no calor suando, sem intervalo, sem intervalo para paz, monólogo megalomaníaco para decoração, sem trégua, grito, mando e reclamação, grito e suor, grito e cachorro trepando, cachorro brigando e chorando, quatro cachorros, maldito cheiro, gritando por tudo, nem aquela porra funciona, três horas da manhã, em casa no computador, sem diversão, sem diversão, e amanhã ninguém vai, só nós três no meio da gente sem perigo, eles não tem perigo, só vomito. E nós não precisamos da sua educação.


Texto originalmente postado em 13 de março de 2005, no meu antigo blog www.naomesquecerderespirar.blogspot.com

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

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eu planejo coisas e penso no tempo.
o tempo sempre está acabando.

e só penso: por que eu não posso mandar em tudo?
se tudo seguisse a minha ordem...
tudo seguiria a minha ordem...

.

eu não sei mais se vai dar tempo
.
.
.
queria que desse.


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Queria mudar a direção da minha vida.

um número considerável, queria que as coisas não fossem assim.

não queria sentir as coisas sendo arrastadas para um buraco.

não queria não ter alternativas.

não queria não poder respirar.

não

n.

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até onde eu consigo ir?

até onde conseguirei colocar um muro em torno da minha consciência?

até onde conseguirei não pensar no que eu não quero?

não quero pensar

até aonde

não.

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tuuuuuuuuu

tuuuuuu

tuuu

tu

t

.

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voltar a abrir os olhos. quando foi que eu os fechei? simplesmente não lembro.
tem uma película meio bege, meio transparente, sempre que olho pra cima.
não consigo mais olhar pra cima.
eles não conseguem olhar pra cima.
não conseguem.
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só não queria construir nada.

queria que já fosse.

já é.

bem desse jeito.

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terça-feira, 13 de setembro de 2011

E você, deveria estar aqui?

*mais um texto bem antigo*

Talvez eu nem devesse ter entrado.
Isso é apenas para me livrar de duas colheres de sentimentalismo, porque elas sim, não deveriam estar aqui.
Acho que vou cortar meu cabelo, ele me incomoda às vezes, não que eu ligue para isso, mas na terra dos farsantes sem inspiração metidos a poetas, isso seria original.

Foi quando eu acordei, e percebi que durante todo esse tempo, eu já estava acordada. Eu apenas estava fingindo que dormia, assim talvez não tivesse que pensar em todas essas coisas incomodativas que ocupam a mente, todas essas coisas inúteis, que se você tivesse poder sobre o seu cérebro, certamente escolheria não pensar nelas.

Eu fui andando, entre todas aquelas árvores gigantescas que pareciam não ter fim, pelo menos que eu conseguisse ver, e lá, bem no final do caminho, lá, no ponto mais distante onde meus olhos ainda podiam enxergar e distinguir alguma coisa, estava um bonequinho, um bonequinho sem roupas acenando para mim, em uma mão ele tinha um abridor de latas, e na outra, tinha meus dedos e meu fígado.

Então você diz: Uau, isso é que é saber fingir saber de alguma coisa, não é? Eu acho que vou matar meu cérebro e viver em paz. Ó cérebro idiota, idiota, dono das razões que não possuem razão nenhuma, sem pensar, só dormir. Depois de todos os braços já terem apodrecido e caído, eu continuo rindo.

Até mesmo o que não me contaram eu consigo inventar, meu cérebro trabalha muito bem em descobrir coisas que eu não sei nem nunca vou saber. Ele vai levando choque da cobra elétrica enrolada nele, vai dando pulos e se contorcendo, um pulo e vai direto pro hiper espaço, hiper atividade, hip hip hurra, vai voando bem pra longe, pra cima do céu.
Pontadinhas agudas. Espetos de agulha.

Vamos lá, vamos lá deuses malditos.
Vocês querem mesmo que eu me foda?

Dizer um monte de coisas sem dizer nada é minha especialidade, eu fiz o curso dos sem talento graduados na arte de fazer rir.

Lindo começo. Belo começo para o início do fim. Fluiu como todas as outras bostas que eu penso ter valor. Inteligência múltipla. É pra isso que serve, para você ficar patinando na lama, perdido em lugar nenhum, nunca ir pra frente, nem pra nenhuma direção, apesar de dizerem que existem várias.

Então é isso.
A pessoa mais perdida do mundo
Continua procurando um lugar perdido
Que dizem já ter sido encontrado
Para continuar dormindo
E fazendo nada
Eternamente
Embaixo do chão.


Texto originalmente postado em 10 de abril de 2005, no antigo blog:
www.naomesquecerderespirar.blogspot.com
Mais precisamente NESTE LINK

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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Blerghh

Esse tcc vai me matar

Fico aqui esperando o tempo passar e as coisas ficarem prontas magicamente (eu não mando na minha cabeça)

Sei que o meu corpo está contra mim. Ele sempre esteve.

Comete um auto-suicidio.

Auto porque ele não tem nem mesmo a delicadeza de me perguntar alguma coisa, de pedir a mínima permissão.

Ele está me matando. Meu corpo esta se matando. Separadamente de mim.

Separadamente da minha cabeça. A minha cabeça está separada de mim.

A minha cabeça comanda o suicídio e eu queria descobrir como ela faz isso. Eu não estou interessada.

O futuro se movimenta, mas não está amarelo. Não, ele não está. Só está meio borrado

Eu não estou interessada nisso....

Eu só espero que o tempo passe muito rápido. De novo. Eu só fico esperando você entrar. Pela porta da frente. E a porta nunca mais vai se abrir.

Eu só vou ficar esperando o sol.

O seu cabelo sempre está cheirando bem. Eu só espero o tempo passar. Porque eu sei que vai acontecer tudo ao contrário, como sempre. Sempre tem um certificado ao contrário no final.

Com você.

...

A coisa de que eu mais sinto saudades de Curitiba é do meu computador.

domingo, 19 de junho de 2011

domingo à noite

Todo domingo à noite ele arranca um pedaço dela. No lugar desse pedaço fica um buraco vermelho e choroso.

Os dias passam lerdos, cinzas e frios. Depois de incontáveis horas finalmente é sexta-feira.

Sexta-feira ele dá a ela um novo pedaço, muito mais bonito e muito mais feliz. Esse pedaço deveria tampar o buraco que ficou da última semana.

Tudo costuma ficar bem de sexta até domingo. O ar é quente e o céu é azul, não importa quanto os termômetros e os jornais mintam sobre o que eles não entendem.

O tempo passa.

Domingo. Novo flagelo.

Só resta fazer tudo que se é obrigado. Só resta esperar que o tempo seja generoso e ande rápido pelos dias.

O grande problema foi quando ela começou a pensar na dor de domingo já na sexta. Ela não conseguia esquecer a dor de perder um pedaço, principalmente quando olhava para seus buracos mal remendados.

Existia uma mãe que dizia: - Menina, não sofra por antecedência.

Mas depois de um certo tempo, você não pertence mais ao campo magnético de profecias assertivas das mães.

Pensar poderia ajudar. Não pensar talvez ajudasse mais. A menina só não sabia o que fazer com o ensurdecedor som do silêncio que ela ouvia quando olhava os corredores vazios e brancos do apartamento dela.

Ela só podia esperar a generosidade do tempo. Desviar os olhos e deixar que falas de mães fossem aceitas pela catraca do seu cérebro. Ler, ler e ler. Limpar, limpar e limpar.

Fale com o espelho.
.
.
.
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Na verdade o que eu queria, era poder ver seus olhos todos os dias.

... todas as coisas legais e engraçadas que eu penso...

... nunca escrevo aqui.


é o canto das reclamações.
tribunal de causas realmente pequenas.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Curitiba, você não entende nada.

Tinha esquecido como é ruim ficar aqui.
Eu odeio ficar aqui.
Quero ver quanto tempo vou agüentar.
Manter a cabeça no lugar.
Manter a cabeça no lugar.
Às vezes eu me vejo pelo espelho. Eu não sou assim.
Só eu sei.
São meus olhos. Eles dizem que não posso descansar.
Meus olhos dizem que tudo isso é preciso.
E minhas mãos só pensam em cobri-los.

“Eu quero botar fogo nesse apartamento”
Agora essa música sempre me vem na cabeça.
Quem diria que depois de tanto tempo ela faria tanto sentido? Quem diria que ela iria parar na minha cabeça?

Essa música me lembra de quando eu tinha a altura de uma mesa e assistia tudo de baixo pra cima.
Eu via Ela batendo carne com o olhar infeliz. Essa imagem nunca saiu de mim. E a música era a trilha sonora.

“Eu quero ir embora....”

E Ele chegava pra jantar e nem dizia nada. Ninguém dizia nada.
Mas a música sempre tocava.
Os olhos baixos e tristes ficaram ali para sempre.

“Eu quero dar o fora....”

E agora?
Eu odeio ficar aqui.
Eu nem sei o que pensar.
Não sei nem como pensar no que fazer.

“... e quero que você venha comigo.... todo dia....”
.
.
..
... eu quero ir embora.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

das mãos dele...

Foi naquela noite quente em que ele disse que não queria casar com ela. Naquela noite de calçadas e bebidas. Naquela noite cheia de mentiras pretensiosas.

Naquela noite em que os dois conversaram durante três horas, e ele não soltava das mãos dela. Até o dia amanhecer, ele segurou as mãos dela e ficou ali, alisando-as “despretensiosamente”.

“Eu nem sei se gosto mesmo de você”, ele disse segurando as mãos dela fortemente.

E assim continuou a passar a conversa na menina que pensava em mil coisas, entre elas: “O que esse imbecil pensa que está fazendo?”

Dar as mãos pode até parecer uma coisa idiota, mas naquela noite foi a coisa mais legal do mundo. Ainda mais quando você segura aquilo que tem sérias chances de te dar um soco.

E o menino interesseiro levou suas mãos quentes embora. E a menina não conseguia mais parar de pensar nelas.

Semanas se passaram, e o menino quase fez o mundo acabar. Porque ele era um menino, e meninos são assim. Até que chegou a páscoa, e as coisas ficaram quentes e boas novamente.

Sem facadas.

Porque eu adoro as suas mãos.

sábado, 16 de abril de 2011

Olhar pela janela do seu quarto...

Aqueles ferros enferrujados tentando ainda serem brancos... Aquelas grades. Você olha através das grades. As grades que tentam ser brancas.

Você olha pelas grades enferrujadas e enxerga aquele muro podre do fundo da sua casa. Aquele muro cheio de musgo, fungos e rachaduras. Ele também ainda tenta ser branco.

Você olha essa “paisagem” e pensa ha quanto tempo ela está ali. Você lembra de quando ela nem estava ali e você podia ver toda a cidade. Agora só tem grades podres, um muro podre, e uma casa que parece um bolo de quinze anos.

Você pensa há quanto tempo isto está ali. E há quanto tempo você não olhava para aquilo. Quanto tempo faz que você não precisava olhar para aquilo? Quanto tempo faz que você não precisava colocar a cabeça entre as grades para ouvir só o som do vento e não ouvir mais nada?

E aquele sentimento de quando você tinha 8, 10, 13, 16, 18 anos... quanto tempo fazia que você não sentia essa merda?

Preciso ir embora daqui. Moço dos 750, por favor, me contrate.

Queria que esse sentimento pudesse ser gravado em mim, como uma fotografia. Queria que a luz gravasse na minha pele a imagem desse muro podre. Assim, sempre que eu tivesse algum pensamento idiota e esperançoso, me lembraria de toda essa merda e voltaria pra realidade.

Também gostaria de gravar pra sempre a feição das pessoas que eu gosto logo depois de desapontá-las sem querer. Talvez eu nunca mais desapontasse ninguém sem querer.

E olhando pelas grades, pela janela, você até lembra daqueles ensinamentos que acha que só servem para o “Brinquedo Assassino 2” aquele: “ - Você vai descobrir que não pode confiar em mais ninguém, só em você mesmo”

Pff....

Olhar, sentir o vento e não pensar em mais nada.
Eu só espero que tudo isso passe logo.

terça-feira, 12 de abril de 2011

...


The finest day
that I've ever had
Was when I learned
to cry on commmand

.
..
...

Nirvana, On a Plain

quinta-feira, 10 de março de 2011

.

A maioria das pessoas com alguma pretensão do tipo: sou intelectual e logo chegarei aos 300 copos de café por mês, sou profundamente melancólico e darei a minha visão de um mundo obscuro, sou extremamente poético e descrevo tudo como se estivesse escrevendo um artigo para uma revista cult, sou um ninguém com uma vida de bosta porém muito instigante, sou alguém que todos odeiam mas sei escrever de um modo genial, sou um inteligentão e não preciso de nenhuma aprovação, ninguém gosta de mim mas sempre tem um bando de gente me seguindo, tenho muito estilo e meus tênis não precisam de você...

Enfim, toda essa gente, é totalmente, profundamente egoísta e egocêntrica. Um nível de egoísmo difícil de encontrar em outros lugares. Uma coisa que irrita até mesmo quem está morando perto disso.

Por isso, eu te digo, vire e saia andando. O mais rápido possível.

Pode acreditar em mim...

E tenho dito.

quarta-feira, 9 de março de 2011

tentar dormir

A água sempre sobe. Ela sempre está por cima. Os rios e o mar sempre alagam. Ondas gigantes sempre aparecem para alagar e destruir tudo. A água bate forte embaixo e violentamente quebra os vidros por cima.

A onda sempre vem devagar. Ela marca aquele tempo que você ainda existe. Antes do seu pulmão ser encharcado.

A onda vindo devagar faz seu coração quase explodir. Já vem devagar pra explodir tudo. Devagar para torturar pela espera da morte.

Se você morrer no sonho, pode morrer de verdade? Você consegue acordar antes de morrer? Se você morrer, não acorda mais...

Anos e anos sonhando com isso. E parece não haver saída. Apenas esperar que a água não alcance a janela.