sábado, 13 de junho de 2009

Tempos Fodidos


Quantas vezes por segundo ele consegue dizer que não tem dinheiro?

Quantas vezes ele pode dizer? Quantas vezes você pode contar em dez minutos?

Quantas vezes ele consegue dizer?

Por horas, você pode contar quantas vezes ele não tem dinheiro.

Ele não tem dinheiro, você sabe. Ele sabe e não para de falar.

Quantas vezes ele consegue não ter dinheiro em dois segundos?

Quantas vezes ela consegue te esquecer em um dia?

Você sabe, ela diz, eu simplesmente não posso. Faço o que consigo.

Quantas vezes você consegue não existir em meia hora?

Quantas vezes ela te diz que não esqueceu em cinco minutos?

Eles não existem, meu bem. Para você.

Quanto tempo você consegue existir?

Em dois segundos.

Quantas vezes eles conseguem te lembrar até te esquecer completamente?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

É tudo mentira


Acho que toda a história é mentira.

Pelo menos parece tão alheia a mim... Eu realmente não sou daqui

Não mesmo..

E tudo aquilo: Roma, Idade Média, Renascença, Grandes Navegações, Colônias açucareiras, Aritmética, anos oitenta, 2003...

Parece que alguém um dia sentou e decidiu escrever um livro...

E daí inventou toda essa palhaçada.



Como quando você e seu amigo bêbado percebem no final da noite que todo mundo tinha a "Pira Show de Thruman", e ainda começam a falar pras outras pessoas passando:

- Caaaraaa, você também achava que todo mundo era alienígena com máscaras numa peça, não, não, numa experiência assim, e daí só você que era de verdade???

O problema é que tem gente que acha isso até hoje.

O prblema é que elas não tiveram a idéia do filme antes.

Maldito Jim Carey

terça-feira, 2 de junho de 2009

Não estou curtindo com você


Mauricel era um chato.

Ele era um chato e gostava de ser chato.

Mauricel atravessava a rua para não cumprimentar conhecidos.

Ele era um chato e não estava pedindo para gostarem dele.

Mauricel odiava encontrar seus amigos no banheiro antes da aula começar. Então, tinha que andar ao lado deles até a sala e ficar conversando no corredor.

Ele era um chato e odiava encontrar pessoas no corredor.

Existem momentos sagrados só seus. Andar com o vento na cara, sozinho, até a tortura da aula começar, era um direito seu. Todo seu. De Mauricel.

Odiava quando as pessoas interagiam, quando entendiam as piadas... Quando conheciam as músicas e olhavam abobadamente esperando um sentimento recíproco.

Odiava o estúpido sentimento humano de união e equipe. “Juntos somos mais fortes!”. Quanta besteira! Gincanas e rivalidades entre cursos e instituições lhe davam vontade de vomitar.

Crianças bochechudinhas meladas e ranhentinhas tentando estabelecer contato... Ahhh Mauricel... Chute no queixo!

Ele era um chato. Mauricel era um chato.

Favor não sentar ao seu lado no ônibus.

Ele era um chato.

E por isso todo mundo gostava de Mauricel.

Aquelasmeninaslá


Clarissa, a mocinha do post abaixo, é uma gargalhada de deboche. Uma gargalhada, um tapa e um foda-se. É tudo isso bem na cara dos professores, na cara da associação de pais e mestres, tios, vós, vizinhos e presidentes. De toda essa gente que não sabia nada sobre nós. De toda essa gente mentirosa que não sabe nada sobre nada.

*-O que é que você está fazendo aqui, meu bem? Você não tem nem sequer idade para saber como a vida fica ruim depois.

“É verdade! Pensei. Eu nem sabia como ia ficar ruim depois, que bosta, crianças não sabem de nada mesmo e...” Meus pensamentos revoltados foram interrompidos segundos depois pela continuidade da leitura:

-Evidentemente, doutor – disse-, o senhor nunca foi uma garota de 13 anos.

Foi o soco. Era verdade. Eu não lembrava como era ser uma garota de 13 anos. Já passou tanto tempo. Como é ser uma garota de 13 anos. Como é ruim ser uma garota de 13 anos. Todo o desespero claustrofóbico de ser uma garota de 13 anos.

E ainda ter que fazer Educação Física.

“Tem um menino lá na escola. Ele é tão bonito... ele é tão legal...”

Ser xingada como se fosse a pior pessoa do mundo por estar usando maquiagem demais, roupas apertadas e curtas demais.

“Tem um menino la na escola... E ele não sabe como eu sou legal... e como eu sou... bonita...”

Ser xingada como se fosse a pior pessoa do mundo por não estar usando maquiagem nenhuma, roupas largas demais, por querer andar descalço e ser um pato desengonçado.

“Todas as meninas bonitas e legais já sabem. Todas as populares já sabem. Todas as patricinhas da escola já perguntaram o nome dele e sabem onde ele mora...”

Coxas grossas e canelas finas. Nenhuma mãe combina e nem entende a filha. Isto é uma lei absoluta universal, e se for quebrada, pode ser o fim do mundo.

“Mas ele nunca vai saber, oh não, como eu sou legal. Ele nunca vai saber o meu nome. Muito menos onde eu moro...”

O perigo para as garotinhas está logo ali, do outro lado da cerca. Você não sabe o que eles querem e nem o que pensam. Você não sabe nada sobre você. O que eles sabem sobre você.

"Ele é tão bonito e legal. Ele sempre passa pela grama e ele sempre vai ficar no meu caderno..."

- Uma das coisas que eu tenho muito medo na vida, são mulheres. Você já entrou em um banheiro feminino? É assustador. Todos aqueles cabelos perfeitos... toda aquela desaprovação... Cheguei a essa conclusão em um recreio na 8ª série.

"Meu caderno com desenhos e segredos tão secretos. Os segredos mais secretos do mundo, sobre a idiota mais secreta do mundo. E ninguém nunca conseguiria derrubar este tão sólido muro."

Você não sabia que era errado. Nem que era perigoso. Se soubesse, nunca teria entrado, ou seguido aquele garoto.

"O segredo mais secreto e errado do mundo. O segredo mais secreto, mais errado e perigoso. Ele sempre passa no meu caderno. Ele sempre passa no meu caderno..."

Nenhum menino, nenhum, nunca, nunca vai saber o que é ser uma garota de 13 anos. Nenhum menino vai saber como é, estar livre, mas muito presa a um quarto, uma casa, um mundo com todos os segredos mais secretos, perigosos e sujos. Ninguém diz nada, mas todo mundo espera que você saiba exatamente o que fazer. Ninguém te diz nada sobre nada. Ninguém existe para você, você é uma garota de 13 anos.

Depois você faz 14, faz 15, faz 16, 17, 18...

O desespero claustrofóbico

Sempre

Garotas

Não existem

*As Virgens Suicidas, Jeffrey Eugenides