terça-feira, 2 de junho de 2009

Não estou curtindo com você


Mauricel era um chato.

Ele era um chato e gostava de ser chato.

Mauricel atravessava a rua para não cumprimentar conhecidos.

Ele era um chato e não estava pedindo para gostarem dele.

Mauricel odiava encontrar seus amigos no banheiro antes da aula começar. Então, tinha que andar ao lado deles até a sala e ficar conversando no corredor.

Ele era um chato e odiava encontrar pessoas no corredor.

Existem momentos sagrados só seus. Andar com o vento na cara, sozinho, até a tortura da aula começar, era um direito seu. Todo seu. De Mauricel.

Odiava quando as pessoas interagiam, quando entendiam as piadas... Quando conheciam as músicas e olhavam abobadamente esperando um sentimento recíproco.

Odiava o estúpido sentimento humano de união e equipe. “Juntos somos mais fortes!”. Quanta besteira! Gincanas e rivalidades entre cursos e instituições lhe davam vontade de vomitar.

Crianças bochechudinhas meladas e ranhentinhas tentando estabelecer contato... Ahhh Mauricel... Chute no queixo!

Ele era um chato. Mauricel era um chato.

Favor não sentar ao seu lado no ônibus.

Ele era um chato.

E por isso todo mundo gostava de Mauricel.

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