quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Contadores e Ilusionistas

Jogos funcionam apenas quando os dois lados arranjam uma maneira de trapacear. Não precisa ser exatamente pungente, é apenas necessário fingir saber o que está fazendo, e ser bastante convincente. Nisto, cada pedaço irá acreditar, e exercer a ilusão de estar tomando um pouco de poder. Um poder que não é o que parece ser.

Ele chegou e mostrou tudo o que tinha, mostrou seus tesouros escritos, suas tão preciosas letras. Tudo o que ele pensava, tudo o que ele achava, tudo o que ele talvez nem entendesse, mas queria dizer.

- Não sabia que você escrevia. Não sabia que você escrevia assim.

- Escrevo, sempre escrevi. Mas nunca te mostrei.

Ela sentiu-se estranha, nem ela entendeu o porque. O que significava tudo aquilo?

Era como se ele estivesse lambendo os olhos dela.

Ele surpreendeu sua Contadora de histórias com suas próprias palavras. Desde então, os finais nunca mais tiveram o mesmo sabor de impermeabilidade esnobe. A Contadora de histórias havia sido facilmente surpreendida pelo Exibicionista mais secreto da cidade. E porque não do mundo?

Ela percebeu que nunca soube nada sobre aquele menino. O que bastava eram suas suposições, pelo menos, era como pensava. Aquilo serviu para mostrar que por mais clichê e obvio que pareça, as pessoas realmente nunca são o que parecem. São todas ilusionistas, algumas mais inconscientes apenas.

É apenas a possibilidade de descobrir uma partícula da essência de alguém, que nos leva a querer conhecê-lo.

Entrar em jogos nem sempre parece voluntário, mas é absolutamente espontânea a relutância em admitir os seus desejos.

E foi exatamente assim que a Contadora de histórias foi peculiarmente enlevada pelo Exibicionista mais secreto da cidade.

E foi assim que o Exibicionista mais secreto da cidade se desmanchou por cada palavra que proferia a Contadora de histórias.

Curiosidade em seus olhos, sempre foi um convite irrecusável para a minha língua.

3 comentários:

Diego Janjão disse...

A vida toda é uma ilusão...

as pessoas veem aquilo que querem ver...

é apenas um jogo de psicologia!

muito bela a historia quee aqui você contou!

PArabéns

Paulão Fardadão Cheio de Bala disse...
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Anônimo disse...
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