domingo, 9 de agosto de 2009

Vazio Muito Cheio

Decidiram repensar a brincadeira.

Ela em um canto, ele no outro.
Cada um em um canto de uma sala.
Então eles começavam a atirar flores mortas um na direção do outro na esperança de conseguir atingir algo pelo menos perto do coração.

Eles sabiam o nome um do outro, se conheciam.
Ele conhecia cada parte do corpo dela, ela conhecia cada parte do corpo dele.
Mas ainda assim, parecia que faltava alguma coisa, eles eram completos estranhos quando suas bocas ficavam livres.
Passavam tardes e tardes meio atordoados pelo efeito do líquido que era produzido quando os dois estavam juntos.

Mandavam bilhetinhos, trocavam mensagens e cartas, mesmo assim não se sentiam perto o bastante.
Havia um bonequinho intermediário, ela depositava todos os pensamentos dentro dele, depois ele tentava ouvir, mas o brinquedo confundia tudo.

A timidez dela era o câncer dele.

Então o tempo foi passando, as flores mortas, o líquido, o bonequinho, as mensagens, tudo isso foi criando uma sensação familiar, uma coisa a que os dois já estavam acostumados.

Ele não podia viver sem o vazio dela, ela não podia viver sem o vazio dele.
Ele não podia viver sem o cheiro dela, ela não podia viver sem o cheiro dele.
Ou o cheiro das flores, eles não sabiam mais, não sabiam diferenciar.

Então ele morreu, assim do nada, ele simplesmente morreu, se foi, morreu.

Ela nunca se sentiu tão vazia, pois agora não havia mais o vazio dele para preencher o seu.
Então ela ficou ali, parada, no canto da sala, esperando, catatônica, esperando que um dia as flores mortas voltassem a ser atiradas, esperando que algum dia algum vazio viesse preencher o seu.

Mas nenhum vazio nunca veio, e ela ficou a esperar para sempre.

E ele morto, batendo do lado de fora do coração dela para poder entrar, mas ela não ouvia, não percebia, estava apenas esperando um vazio que já não estivesse tão cheio.

Ela esperando, ele batendo, ela não ouvindo, ele gritando, ela esperando, ele batendo.

Morto, ele batendo completamente morto. Dentro do coração dela.

Silêncio.

E o que aconteceu?

Acho que não aconteceu nada.

Ele morreu.



*Texto originalmente postado em 26 deOutubro de 2005, em www.naomesquecerderespirar.blogspot.com, mais precisamente neste link-> VAZIO MUITO CHEIO
definitivamente, alguns dos melhores comentários. há

3 comentários:

Anônimo disse...

Ah, eu sabia q já tinha lido essa treta. Mas é mto romântico, e cheio de vazio pro tio. Escreva um texto com lobisomens alienígenas gays fazendo isso tudo aí, e daí sim, nós teremos um roteiro.

Andressa m disse...

Era uma vez um Lobisome Alienígena Gay que fazia tudo que você pode imaginar. E quando eu digo tudo, digo que você ficaria surpreso!

O peludinho em questão, era muito esclarecido sobre as coisas da vida, como também das da morte. Andava para os lados sem problemas, como se estivesse em elevadores laterais imaginários.

O problema, é que apesar de ser super prafrentex , cabeça aberta, hype e século XXI, ele tinha um problema: ainda assim, sofria das coisas do coração. Além de ser hipertenso, era dramático.

Pobre, se emocionava ao ver as larvinhas de Aliens explodindo vorazmente o peito de seres humanos e saindo para uma corrida logo em seguida, para depois, atacar novamente.
- Ohh, você pode imaginar espetáculo mais bonito que este??? – dizia emocionado.

Porém, ainda mais coisas afligiam a vida de nosso estimado amigo: ele amava! Oh sim, como todos os seres viventes do universo, em todas as letras de pagode, o Lobisome Alienígena Gay tinha uma alma gêmea. Pelo menos, ele achava que tinha.

O problema era que, sua alma gêmea, era um dos filhotinhos aliens vorazes cuspidores de ácido que viva a tocar horror por aí. Pois como vocês se lembram, ele era um Lobsome Alienígena Gay, mas o que não foi revelado, que era ainda por cima, pedófilo.

Não é de se estranhar que tal fixação, causou ao nosso amigo prafrentex muitos problemas, além de burburinhos incontroláveis na comunidade trevosa galáctica, devido ás criticas inflamadas que provinham da associação de pais e mestres trevosos galácticos.

Mas o Lobsome Alienígena Gay, decidiu ignorar todas essas manifestações de uma sociedade hipócrita e opressora, e fazer o que dizia seu coração! Decidiu correr atrás de seu amor verdadeiro, decidiu ir atrás daquele juvenil alienzinho que estava a mil!!

Para sua infelicidade, o alienzinho vistoso, não estava tão afim dele, e lhe atirou um jato de ácido, vorazmente, na cara.

- Lazarento, me cegaste!!!! Foi a última coisa que ouvimos de nosso amigo homotrevosointergaláctico.

Realmente foi um final infeliz para o tio. Mas que sirva de lição, para tantos outros tios Lobsomes, comunidade trevosa inter-galactica a fora.

“As vezes, melhor dexa queto. E que usem máscaras.”

mary quite contrary disse...

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Meu deus, como eu era cabaça.
Deu uma vergonha repentina de existir.