segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Simples, o de sempre.


Cansa toda essa coisa inútil

De esperar e ter preguiça
De não chegar a lugar nenhum
De planejar alguma coisa amorfa
De fingir não saber de nada
De levantar e se mexer
De pensar, de pretender

De dramas estúpidos, gente leite com pêra
De ouvir baboseira
De fingir que isso presta pra alguma coisa
De achar que talvez exista alguma coisa

De ficar doente

De ficar doente
De tomar remédios
De não poder sentir frio
De não poder encher a cara

De encher a cara
De estomago revirando

De sentir peles e cheiros, calor...
De cabelos molhados e catarro no pulmão

Encoste em mim, e eu... não encoste em mim.

De ouvir sobre essa merda de gestão

De respirar.
De respirar...

Admita velho careca, você não sabe de nada.

...



pense em uma coisa...



realmente bonita...



e não conseguir dizer mais nada.

alternativas

Ele tem várias alternativas

O garoto das opções...

E você, não está em nenhuma delas.


My darling cruises the streets for pleasure
Skyscrapers in the dead love dawn
Throbbing blood mind selfless creature...


Antenna, Sonic Youth

Petulantes no Cefet



... Ouvindo London Calling. Lembro bem quando comprei esse Cd no sebo, eu tava no Cefet. Eu não gostei de todas as músicas de cara, mas fui gostando aos poucos. Hoje gosto muito de todas.Lembro bem do período: se trancar no quarto, rabiscar umas coisas e ouvir música. Lembro de Hateful. Hateful era o segundo ano. Hateful era pra mim. Era pra gente.

Era o segundo ano. 16 anos e total apatia. Eles não gostavam da gente, e daí? Que se fodam! Temos coisas mais importantes pra fazer. Planejar grandes golpes, ser detestáveis, encher a cara e simplesmente não ligar pra nada. Ser fumaça. Éramos a turma da fumaça, incomodávamos, mas eles se mantinham longe.

Se você olhasse para nós, ia ver um bando de trombadinhas de calças rasgadas e tênis estourados dizendo: “Cuidado ae!”

Oh sim, nós sabíamos de tudo.
E meu pai dizia: “Vocês não sabem nem por onde a galinha mija.”
E eu pensava: Velho chato... velho tongo...

¿meu pai era velho?

Sei que devo agradecer. Devo agradecer a tudo que me proporcionou essa tão “riot” adolescência. Quero agradecer, acima de tudo, a Adriane Coordenadora do Ensino Médio Cefetiano, que para mim correspondia ao Imperador Palpatine.

Agradecer a ela e a todos os professores carrascos, ao Cefet por suas normas tão absurdas e opressoras, pois tudo isso me proporcionou viver a revolta na idade certa: dos 14 aos 18. Perfeito.

Ser punk de verdade, você era no Cefet. Em lugar nenhum do mundo você pode citar Rousseau com tanta veemência quanto com 16 anos no Cefet. Ser perseguido e colar coisas insolentes na parede, tirar fotos mal criadas em uma igreja... Se drogar e encher a cara. Ser junkie era junkie no Cefet. No future. Ser subversivo era ser subversivo no Cefet. Um lugar onde roubar ameixas era infração gravíssima, imagine a alegria em disparar extintores, xingar e acabar com chapas malhação, levando polacas a loucura e a arrancar muitos cabelos. “A Sarcina”.

Quero agradecer a toda essa gente educadora de espírito opressor por me proporcionar a verdadeira oportunidade de ser uma adolescente revoltada. Vivi e fui feliz.

Hoje desconfio que o Cefet é assim porque sabe que tudo que adolescentes precisam, além de sexo drogas e rock’n roll, é opressão para poderem se revoltar.

Os melhores anos, os melhores filmes, as melhores musicas, os melhores livros, as melhores festas, as piores dores de estomago, os melhores traumas, os maiores corações partidos, meus melhores neurônios, meu melhor fígado...


Obrigada cefetão.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009