segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Petulantes no Cefet



... Ouvindo London Calling. Lembro bem quando comprei esse Cd no sebo, eu tava no Cefet. Eu não gostei de todas as músicas de cara, mas fui gostando aos poucos. Hoje gosto muito de todas.Lembro bem do período: se trancar no quarto, rabiscar umas coisas e ouvir música. Lembro de Hateful. Hateful era o segundo ano. Hateful era pra mim. Era pra gente.

Era o segundo ano. 16 anos e total apatia. Eles não gostavam da gente, e daí? Que se fodam! Temos coisas mais importantes pra fazer. Planejar grandes golpes, ser detestáveis, encher a cara e simplesmente não ligar pra nada. Ser fumaça. Éramos a turma da fumaça, incomodávamos, mas eles se mantinham longe.

Se você olhasse para nós, ia ver um bando de trombadinhas de calças rasgadas e tênis estourados dizendo: “Cuidado ae!”

Oh sim, nós sabíamos de tudo.
E meu pai dizia: “Vocês não sabem nem por onde a galinha mija.”
E eu pensava: Velho chato... velho tongo...

¿meu pai era velho?

Sei que devo agradecer. Devo agradecer a tudo que me proporcionou essa tão “riot” adolescência. Quero agradecer, acima de tudo, a Adriane Coordenadora do Ensino Médio Cefetiano, que para mim correspondia ao Imperador Palpatine.

Agradecer a ela e a todos os professores carrascos, ao Cefet por suas normas tão absurdas e opressoras, pois tudo isso me proporcionou viver a revolta na idade certa: dos 14 aos 18. Perfeito.

Ser punk de verdade, você era no Cefet. Em lugar nenhum do mundo você pode citar Rousseau com tanta veemência quanto com 16 anos no Cefet. Ser perseguido e colar coisas insolentes na parede, tirar fotos mal criadas em uma igreja... Se drogar e encher a cara. Ser junkie era junkie no Cefet. No future. Ser subversivo era ser subversivo no Cefet. Um lugar onde roubar ameixas era infração gravíssima, imagine a alegria em disparar extintores, xingar e acabar com chapas malhação, levando polacas a loucura e a arrancar muitos cabelos. “A Sarcina”.

Quero agradecer a toda essa gente educadora de espírito opressor por me proporcionar a verdadeira oportunidade de ser uma adolescente revoltada. Vivi e fui feliz.

Hoje desconfio que o Cefet é assim porque sabe que tudo que adolescentes precisam, além de sexo drogas e rock’n roll, é opressão para poderem se revoltar.

Os melhores anos, os melhores filmes, as melhores musicas, os melhores livros, as melhores festas, as piores dores de estomago, os melhores traumas, os maiores corações partidos, meus melhores neurônios, meu melhor fígado...


Obrigada cefetão.

5 comentários:

Just like honey disse...

ain =(

Gisele disse...

que lindo, andressa. saudade do aníbal.

marília disse...

os melhores fiascos. pra sempre.

Anônimo disse...

É a microfísica do poder moldando corpos e mentes. Está inscrito em seu corpo: detrito do CEFET.

Andressa m disse...

Pois é. São os resquícios do Cheetos com Danoninho e de Beat It. Está inscrito em seu corpo: detrito dos anos oitenta.