quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Castelo que não fechava

Texto realmente muito velho


Então todas as criancinhas na puberdade passaram no teste para poder entrar naquele grande castelo onde as portas não eram fechadas. Diziam que lá era o paraíso.

Todas elas estavam radiantes e empolgadas, é impossível fugir da idiotice que assola todos os seres humanos na maldita fase da adolescência.

Elas estavam lá para aprender, mas isso não importava, porque lá fora era muito mais interessante. Conheceram muitas pessoas legais, muitas mesmo. Era o lugar com o maior número de gente estranha e diferente que elas já tinham visto.

Trataram logo de encontrar outras crianças para brincar, aquele parquinho era mesmo muito empolgante.

Então todas começaram a descer aquele enorme barranco que estava na frente delas. O final dele tinha um nome que as crianças desconheciam, elas já tinham ouvido falar, mas não fazia muito sentido pra elas, era algo como:

adultos??? amadurecimento???
crescimento ... frustração...
destruição...
morte...

Bem, não importava, agora elas tinham novos amigos geniais, os mais legais que elas já haviam encontrado.

Decidiram descer o barranco.

Na maior alegria, desciam correndo, gritando e pulando todos juntos. Alguns bem próximos. Alguns mais próximos de maneiras diferentes, uns como irmãos, outros como bons amigos, e outros de uma maneira mais estranha, que eles ainda não entendiam direito, mas certamente era diferente da forma de como queriam os irmãos.

Isso as vezes os deixava confusos, dava dor de estomago, uma sensação estranha, uma certa angústia e uma empolgação fora do comum...

Alguns deram as mãos, alguns se abraçaram, outros corriam mais rápido, mas tudo era muito divertido.

E foi então que as crianças começaram a cair. Correr rápido em um barranco não é uma coisa muito segura. Cada vez que caíam, se machucavam, e isso diminuía um pouco sua alegria e velocidade, mas elas continuavam correndo mesmo assim.

Aos poucos, os nódulos de crianças que estavam descendo o barranco foram mudando de integrantes. Uns por desgosto, outros porque lhes faziam cair e se machucar, outros porque não se suportavam mais.

Outras crianças apareciam às vezes para tentar descer o barranco, e traziam alegria porque eram legais.

Mesmo assim, todas continuavam caindo, e a velocidade e o entusiasmo delas foi diminuindo.

Elas mudaram, algumas se perderam no caminho, outras pegaram outra direção.

Junto com os machucados por terem caído, tudo isso entristecia as crianças, elas foram ficando cada vez mais sérias e cautelosas porque tinham medo de cair.

Algumas crianças estavam ficando muito tristes por ver que isso estava acontecendo, não era a mesma coisa pular e correr se não fossem todos juntos. Mas como continuar a correr com alegria se você sabe que vai cair, se machucar e vai doer?

Você já caiu, se machucou, e doeu muito, mas muito mesmo.

Então todas as crianças foram diminuindo o entusiasmo e a velocidade. Decidiram chegar ao fim do barranco que estava próximo, andando. Era menos perigoso, e elas já estavam completamente raladas.

Algumas crianças ficaram chorando para que seus amigos voltassem a correr, mas já era tarde demais.

É tão triste quando você vê que todas as crianças que estavam ao seu lado pararam de correr e pular com medo de se machucar.

Viraram adultos.



Oh não, crescer é um saco.



Encontrei este texto fazendo um trabalho de um livro. E foi tão estranho que cheguei a achar que outra pessoa tinha escrito, mesmo sabendo que fui eu. E achei realmente incrível ele conseguir ser um pueril tão puro. Cinco anos guardaram algumas coisas em um universo paralelo. Submerso flutuante.


Texto postado originalmente em www.naomesquecerderespirar.blogspot.com, em 29 de março de 2005, mais precisamente NESTE LINK