quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Fumaça

Tem um buraco negro um pouco abaixo da garganta...
Quando você descobre que o lugar mais seguro do mundo pra chorar é o ombro do seu irmão mais novo.

Quando eu era menor entendia Sliver como dividir. É preciso saber dividir as coisas. Não fraternamente, mas na sua cabeça, nos seus atos.
Tudo tem o seu lugar e todo lugar tem a sua hora.

Saber esperar menos é uma dádiva.


Quando eu era pequena, não pensava em ser nada. Nada concreto.
Seria um ectoplasma onisciente pairando por aí.

Um espírito, uma presença, uma fumacinha...
Uma presença passando pela vida das pessoas, deixando apenas alguns rastros, fazendo o seu trabalho...

Passando pelas ruas sujas cheias de gente, carros e bichos...
Mas sem existir. Ninguém vê um ectoplasma

Você tem tantos problemas...
Se eu pudesse dava meu poder de fumaça pra você.
Talvez você não sentisse tanto frio.

Mas fumaça não tem mão. Fumaça não pode fazer nada direito. Nada que preste.


Tem um buraco negro no peito de um espírito que só se acalma embaixo do chuveiro.
Então lágrimas se misturam com água...
E seus lábios ficam roxos depois de tantas mordidas.



Posso ser a Fumacinha Esperta, ou a Fumacinha Camarada.

Tem uma Fumacinha retardada que sempre queima os dedos no fogo que usou para esquentar a casa.