domingo, 19 de junho de 2011

domingo à noite

Todo domingo à noite ele arranca um pedaço dela. No lugar desse pedaço fica um buraco vermelho e choroso.

Os dias passam lerdos, cinzas e frios. Depois de incontáveis horas finalmente é sexta-feira.

Sexta-feira ele dá a ela um novo pedaço, muito mais bonito e muito mais feliz. Esse pedaço deveria tampar o buraco que ficou da última semana.

Tudo costuma ficar bem de sexta até domingo. O ar é quente e o céu é azul, não importa quanto os termômetros e os jornais mintam sobre o que eles não entendem.

O tempo passa.

Domingo. Novo flagelo.

Só resta fazer tudo que se é obrigado. Só resta esperar que o tempo seja generoso e ande rápido pelos dias.

O grande problema foi quando ela começou a pensar na dor de domingo já na sexta. Ela não conseguia esquecer a dor de perder um pedaço, principalmente quando olhava para seus buracos mal remendados.

Existia uma mãe que dizia: - Menina, não sofra por antecedência.

Mas depois de um certo tempo, você não pertence mais ao campo magnético de profecias assertivas das mães.

Pensar poderia ajudar. Não pensar talvez ajudasse mais. A menina só não sabia o que fazer com o ensurdecedor som do silêncio que ela ouvia quando olhava os corredores vazios e brancos do apartamento dela.

Ela só podia esperar a generosidade do tempo. Desviar os olhos e deixar que falas de mães fossem aceitas pela catraca do seu cérebro. Ler, ler e ler. Limpar, limpar e limpar.

Fale com o espelho.
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Na verdade o que eu queria, era poder ver seus olhos todos os dias.

... todas as coisas legais e engraçadas que eu penso...

... nunca escrevo aqui.


é o canto das reclamações.
tribunal de causas realmente pequenas.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Curitiba, você não entende nada.

Tinha esquecido como é ruim ficar aqui.
Eu odeio ficar aqui.
Quero ver quanto tempo vou agüentar.
Manter a cabeça no lugar.
Manter a cabeça no lugar.
Às vezes eu me vejo pelo espelho. Eu não sou assim.
Só eu sei.
São meus olhos. Eles dizem que não posso descansar.
Meus olhos dizem que tudo isso é preciso.
E minhas mãos só pensam em cobri-los.

“Eu quero botar fogo nesse apartamento”
Agora essa música sempre me vem na cabeça.
Quem diria que depois de tanto tempo ela faria tanto sentido? Quem diria que ela iria parar na minha cabeça?

Essa música me lembra de quando eu tinha a altura de uma mesa e assistia tudo de baixo pra cima.
Eu via Ela batendo carne com o olhar infeliz. Essa imagem nunca saiu de mim. E a música era a trilha sonora.

“Eu quero ir embora....”

E Ele chegava pra jantar e nem dizia nada. Ninguém dizia nada.
Mas a música sempre tocava.
Os olhos baixos e tristes ficaram ali para sempre.

“Eu quero dar o fora....”

E agora?
Eu odeio ficar aqui.
Eu nem sei o que pensar.
Não sei nem como pensar no que fazer.

“... e quero que você venha comigo.... todo dia....”
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..
... eu quero ir embora.